A Morte e a Vida, uma ao lado da outra

 



Ontem estivemos reunidas para mais uma tertúlia do nosso resistente grupo de leitura e de conversa, sem chá, mas com um ambiente menos desabitado que normalmente se sente na Pousada da Juventude da Lousã. O ar condicionado estava ligado, a televisão da sala de convívio passava música, e havia cheiro a comida ao lume. Uma família vinda de Angola esperava o domingo passar, pai, mãe e duas crianças pequenas. Um rapazinho com cerca de 4 anos rondava-nos, a pedir atenção, e confesso que os seus olhos grandes e vivos me roubaram quase toda a atenção que deveria ter dado à reunião. O livro do mês escolhido para debatermos contrastava com a leveza que uma criança pequena traz a uma sala só com adultos, o tema do cancro, como diz o autor a dada altura, é logo associado a morte, e um menino ainda de dentes de leite obriga-nos a olhar a vida no sentido contrário, que ainda tem muitas décadas por desvendar. A maioria que terminou a leitura proposta adorou a obra "A Montanha", do José Luís Peixoto, e é impossível não gostar da escrita dele, da forma poética como ele transforma qualquer tema. Para além de ser um excelente contador de histórias, é extraordinariamente sensível, honesto, humano, sem perder a simplicidade no estilo, o que pensando bem, acaba por ser parecido com o menino angolano. Desarma-nos e faz-nos reduzir a velocidade, obrigando-nos a dar atenção ao principal, ao facto de que perante o cancro das personagens do livro, ou uma criança pequena que acaba por adormecer-nos no colo, não somos nada mais que humanos.




Para a próxima tertúlia escolhemos um livro de um escritor brasileiro:



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