Biscoitos de maçã e a arte de conviver com a Natureza!

 



Quando temos um grande jardim, árvores de fruto, flores, é imperativo conhecermos muita gente ou termos uma grande família, porque a Natureza é sempre generosa, e em poucos dias ficaremos inundados de maçãs, nozes, figos, diospiros, para os quais não temos capacidade digestiva se tentarmos aviar tudo sozinhos. Uma saca para fulano, outra para fulana, biscoitos, bolos, maçãs assadas, uma série de gestos e trabalhos são exigidos, para que não nos apodreçam as frutas acumuladas, desperdiçadas e fiquemos com a cozinha cheia de mosquitos. A energia da produção espontânea da Natureza é incontrolável, e para conseguirmos conviver com ela, somos obrigados a partilhar, a passar pela casa daquele amigo e deixar-lhe um pouco do que nos sobra, dar dois dedos de conversa, levar biscoitos para a Tertúlia do mês, o que puxa o chazinho e prolonga o convívio, alegrando o momento. Só algumas de nós leram o livro que tínhamos proposto em abril, e como levámos imenso tempo a conseguir reunir o grupo, ninguém se lembrava bem do que tratava a obra, o que obrigou a redirecionar a atenção e o tema da conversa para outros livros que fomos lendo, curiosidades, espetáculos a que assistimos, partilhas de preocupações profissionais, sempre com um biscoito numa mão, que o amor, quando é oferecido, deve ser saboreado. É realmente um momento que nos enche a alma, não porque comemos sempre uma guloseima qualquer, ou nos oferecem sacos de maçãs, mas porque durante aquele momento somos só "meia dúzia" de mulheres com um, entre muitos, grande interesse em comum, livros.


Para a próxima tertúlia propomos uma obra que quase de certeza vamos todas ler, porque adoramos o autor!



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