Sentir mais, precisa-se!
No interior do Brasil nasce um amor proibido entre dois rapazes, consumado em segredo até à inevitável descoberta que despoleta toda uma série de tragédias, ruturas familiares, e leva o personagem principal, Raimundo, a uma viagem solitária marcada pela vergonha, abandono, enquanto se faz pela vida, pelo ganha pão, longe da terra natal, onde deixa tudo para trás, trazendo apenas com ele a roupa do corpo e uma carta de Cícero, a sua paixão. Numa linguagem simples, rudimentar, que lemos com sotaque, acompanhamos a descrição dolorosa dos episódios da vida de um homossexual, que nunca se despediu de quem amava, nem soube que destino o mesmo tivera, pois por muito que quisesse descobrir, Raimundo era analfabeto e a carta manteve-se fechada no seu bolso durante décadas. A ironia da sua tragédia é aumentada neste pormenor, que o autor explora de forma brilhante, levando Raimundo a uma escola de adultos, já em avançada idade, para finalmente aprender a ler e escrever. Num tempo de retroce...