A porta, o Museu e uma livraria café junto ao Lis
Viver sem telemóvel e o acesso ao mundo digital em tempo real é hoje em dia tão difícil que já inspira eventos temáticos para nos relembrarmos de como era a vida há 20 anos atrás. Não foi assim há tanto tempo que ainda usávamos o telefone fixo, para sermos honestos, a maioria de nós não cresceu com este aparelho no bolso, e só estamos viciados nele porque se tornou num conjunto de vários acessórios num só: telefone, relógio, correio eletrónico, agenda, etc. É prático, leve, pequeno e ainda possibilita distrair a cabeça a "rebentar bolhinhas coloridas" enquanto entramos em modo zen, alheados ao que nos rodeia. Superficialmente é só vantagens, mas talvez estejamos a cair nas teias do mundo demasiado facilitado e rápido. Podemos responder a um email importante enquanto esperamos no meio do trânsito, mas porquê levar o trabalho para aqueles momentos fora do horário estipulado e pago para o fazer? Não poupamos tempo, apenas o usamos de forma errada, pois se fizéssemos crochet ou lêssemos um ou dois parágrafos do livro do mês (proposto pelo nosso grupo de leitura) teríamos certamente mais produtividade pessoal! Foi a pensar naquilo que podemos fazer sem telemóvel, em conjunto ou sozinhos, que foi dinamizado pela Junta de Freguesia de Lousã e Vilarinho o evento "Lousã Offline". Várias atividades e workshops estiveram disponíveis no Museu Álvaro Viana de Lemos, das 21h00 às 24h00 e o nosso grupo levou a tertúlia de setembro até lá, mostrou o que anda a ler paralelamente à obra do mês, conversou sobre o livro "a porta", utilizando o telefone por breves momentos apenas para registo fotográfico, sem dados ligados. Não fizemos nada de diferente ao que habitualmente acontece nos nossos encontros, pois quando nos reunimos em tertúlia à volta de uma mesa ninguém está aninhado de olhar nas mãos, os telefones ficam nas carteiras e olhamo-nos diretamente, bebemos um chá, conversamos à moda antiga, mas soube bem ver outras pessoas a trazer o seu livro, ler em silêncio, é sinal que ainda conseguiríamos sobreviver se de repente os telefones só servissem para telefonar. 😉 Esperamos com entusiasmo por mais edições destas!
Ontem ao final da tarde fomos até Leiria, ao belo espaço "Livraria Arquivo", que nos deixou completamente apaixonadas! Um café, uma livraria, um espaço de encontros, que só peca por não estar situado na Lousã, (se não conhecem, visitem, vale mesmo a pena!) local escolhido para acolher o evento "Sementes de Dissidência". Um projeto que celebra os 45 anos da Editora Antígona, apoiando a circulação, a tradução, a distribuição e a promoção de obras literárias europeias e que até 2026, levará cinco livros com temas prementes para tempos incertos para estimular conversas e actividades no espaço público, em comunidades rurais no interior do país, em escolas, bibliotecas municipais e livrarias, entre adolescentes, idosos e grupos vulneráveis, como a população prisional e mulheres marginalizadas. Em Leiria estivemos com a autora Layla Martínez, e a sua obra "Caruncho", que numa conversa bem disposta nos contextualizou um pouco mais o conto quase autobiográfico que já tivemos a oportunidade de ler no nosso grupo. Entusiasta do terror, do fantástico, esta jovem escritora pegou numa história familiar para escrever o seu primeiro romance, e ofereceu nesta história a vingança merecida às mulheres da sua vida. <3
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