Um livro pequeno é sempre de desconfiar!

Quando se começa a ler o "Caruncho" de Layla Martínez, um livro pequenino, que aparenta ser rápido, ficamos moídas com a escrita dela. Nenhuma frase é leve, ou simples, umas vezes o conteúdo é duro, e quando não é, a autora baralha-nos com a pontuação ou a falta dela, como se nos estivesse a enfeitiçar com um "amarranço" de nós e magia negra. Foi difícil, negro, mas valeu a pena, porque o nosso objetivo é expormos o nosso gosto pela leitura a livros que normalmente não compraríamos, ou se o fizéssemos por engano, não passaríamos da primeira página. O que Layla Martínez faz é extraordinariamente bem feito, porque nos transforma em pequenos insetos perdidos um pedaço de madeira, confusos com a direção, mas ávidos de carcomer e resistir, face a uma história horrível, com protagonistas detestáveis, sem finais felizes. Vilões emparedados, mortos em agonia, maldições, transes, ódio, cuspidelas de vingança, numa Espanha rural onde a vida de quatro mulheres de uma família p...