Mensagens

"a máquina de fazer espanhóis" em tertúlia zoom

Imagem
  O primeiro livro do nosso "clube" de leitura foi uma obra de Valter Hugo Mãe. Foi uma boa surpresa, para quem ainda não conhecia, começar com um autor português contemporâneo, o que, para qualquer fanático da leitura, significa que haverá muitos anos de novas obras pela frente! Se ao menos o Eça fosse vivo, e escrevesse sobre o Portugal de agora e as suas eternas personagens caricatas... Mas, voltando ao Valter Hugo Mãe, decidimos dedicar Novembro à obra "a máquina de fazer espanhóis". Quem leu, adorou, sem excepções. O tema enternece-nos, por nos ser tão familiar, todos temos parentes, amigos, conhecidos com experiências em viuvez, lares, coisas caricatas, histórias tristes, e invariavelmente, vamos pensando como vai ser a nossa própria história, quando chegar a hora da nossa velhice. No caso do personagem Silva, um barbeiro reformado que perde a esposa de uma vida e se vê "despejado" num lar, há uma revolta justificada que nunca desaparece, mas a trans...

Os rapazes de Nickel

Imagem
  O livro proposto para Outubro prometia ser daqueles que ficam na nossa memória. O tema é sempre atual, contemporâneo, importante de debater, a maldade humana, o racismo, a violência, as infâncias partidas que dão origem a adultos com cicatrizes, ou irremediavelmente estragados. Conta a história de um rapaz, negro, nos anos 60, a viver na América do Norte, que nasce já com o destino previsto, e que o cumpre. O azar leva-o ao reformatório para rapazes, e lá, é escrito o último parágrafo da sua vida. Os horrores que são contados só não nos deixam doentes, porque o autor não os explorou, como se calhar devia. Não que sejamos sádicos, nada disso, apenas fica por cumprir o choque que leva a reflexões profundas, absolutamente necessárias nos dias hoje. A linguagem podia ser mais crua, mais pesada, já que na realidade há uma visão adulta e académica da situação, talvez resultado da formação do autor, e quando lemos um romance, queremos veracidade pelo menos na essência dos personagens, s...

Ler + ou -

Imagem
  O Plano Nacional de Leitura, vulgo Ler +, é um conceito muito interessante, mesmo para quem não o segue com mais regularidade ou atenção. Há sempre sugestões de leitura que valem a pena, ou não. Quem tem filhos na escola, como nós, ou que recentemente passaram pelo liceu, acompanha os dramas e frustrações da miudagem com as obras sugeridas pelo tal PNL, e tem de concordar com algumas das críticas mais jovens. Estivemos ontem a dar uma olhadela às obras para o 10º ano ler e ainda bem que no nosso "clube de leitura" podemos escolher e recusar coisas chatas e difíceis. Não devíamos dizer isto, não é?, e no fundo nem sabemos o que sugeriríamos aos miúdos se fossemos nós as responsáveis pelo PNL... Sabemos que ler é importante, para nós é uma parte normal da vida, está enraizado, faz-nos falta, dá-nos prazer, e não conseguimos com total sucesso passar este gosto aos nossos filhos. Porque será que a leitura continua a ser o fantasma da parte escolar?, quase ali de mãos dadas com ...

Bolo de limão, Bolo de Churro, Chá, Licor de Poejo, a Agenda da Lena e Livros

Imagem
Depois de uma pausa forçada, eis que ontem nos tornámos a reunir, retomando as nossas tertúlias que tanta falta nos fizeram durante o estado de emergência e mais tarde calamidade, que quase nos levou à insanidade! Foram meses difíceis, de novos desafios, regras sociais, filhos em casa, tele trabalho, tele escola, reclusão, solidão e muito álcool gel! Um momento na história moderna que mudou a nossa vida e que veio para ficar, pelo menos, até a ciência corresponder à necessidade de uma vacina que nos possibilite retomar a vida como a conhecíamos. Os mais negativos dizem que nunca voltaremos aos saudosos tempos da socialização sem limites físicos, sem distanciamentos, os optimistas recusam-se a aceitar que os cumprimentos futuros serão para sempre como no oriente, com vénias e formalidades higienizadas. O que é certo é que a vida continua, com ou sem pandemia, como sempre aconteceu, e há que passar o tempo que se tornou longo e meditativo. Ler é para muitos a solução mais fá...

Prémio Nobel, Aniversário, Dia da Mulher e Pandemia

Imagem
Este mês de Março de 2020 foi talvez o mais estranho das nossas vidas. Na última tertúlia que fizemos parecia que já adivinhávamos que algo de extraordinário iria acontecer... Reunimos em casa de uma de nós, não procurámos a habitual localização pública, num café ou similar da Lousã, e estivemos confortavelmente a beber chá, a comer bolo de limão, e a falar sobre o livro "Viagens", da autora Olga Torkaczuk (fartei-me de corrigir o apelido, estava difícil de acertar nos K e C...). Para as mais caseiras, esta é a opção mais agradável, podemos falar alto, rir, beber chá e repetir as vezes que nos apetecer... enfim, devíamos fazer disto uma regra, já que cada vez é mais difícil encontrar um estabelecimento à nossa imagem e semelhança. Brindámos às mulheres, falámos de tudo e de nada, como habitualmente, ouvimos a opinião literária da nossa Professora de Letras que realmente devora os livros propostos e outros, e nos inspira a deixarmos a preguiça de lado e darmos uma hipótes...

25ª Tertúlia, "As mulheres que correram atrás de um café aberto na Lousã!"

Imagem
No passado dia 26 de janeiro reunimos pela 25ª vez! Quase que fazíamos uma capicua, que é sempre engraçado, mas em vez de brincarmos com a numeralogia, andámos à procura de um local onde pudéssemos beber um chá e conversar sobre a obra do João Tordo. Foi difícil, mas à terceira lá descobrimos um estabelecimento na Lousã aberto ao domingo à noite. Com meia hora de atraso, conseguimos finalmente uma mesa e uma bebida quente, numa versão anos 90, com fumadores à mistura, bem à imagem do livro que andámos a ler. Um ambiente urbano-depressivo, escuro, com cheiros desagradáveis e confusão de sons. Não é propriamente o que esperamos de um livro para nos distrair, ou de um local para reunir uma tertúlia literária, mas tal como na leitura, lá nos aguentamos. O autor escreveu um livro a falar na primeira pessoa como se fosse mulher, contando histórias também elas na primeira pessoa, de outras mulheres, mas que no fundo eram uma só realidade de uma mulher. É confuso? Sim, e custa a entranh...

Nozes, filhozes e outras "gnoses"

Imagem
Fechámos as tertúlias de 2019 com a obra "Sensibilidade e bom senso", de Jane Austen, que não reuniu consensos entre as leitoras presentes. A época vitoriana inglesa é muito característica, com os seus formalismos e etiquetas sociais, e todos conhecemos um pouco do mundo da autora, quer seja nos vários livros que escreveu, quer seja nas adaptações para cinema famosas, como é o caso da obra do mês. Hugh Grant, Ema Thompson, Alan Rickman, Kate Winslet e muitos outros atores, dão vida às personagens do nosso livro, onde a vida era regida e orientada pelos rendimentos anuais contados em libras, e condutas pré-definidas pela cultura inglesa da época. Não ficamos especialmente apaixonados pelo romantismo quase inexistente entre os possíveis e futuros casais, podemos até afirmar, que nos desapontamos com a frieza e calculismo com que a autora retrata a maioria das pessoas que imagina. Mulheres que casam porque sim, para não ficarem pobres ou sozinhas, que escolhem os pr...