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Ler + ou -

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  O Plano Nacional de Leitura, vulgo Ler +, é um conceito muito interessante, mesmo para quem não o segue com mais regularidade ou atenção. Há sempre sugestões de leitura que valem a pena, ou não. Quem tem filhos na escola, como nós, ou que recentemente passaram pelo liceu, acompanha os dramas e frustrações da miudagem com as obras sugeridas pelo tal PNL, e tem de concordar com algumas das críticas mais jovens. Estivemos ontem a dar uma olhadela às obras para o 10º ano ler e ainda bem que no nosso "clube de leitura" podemos escolher e recusar coisas chatas e difíceis. Não devíamos dizer isto, não é?, e no fundo nem sabemos o que sugeriríamos aos miúdos se fossemos nós as responsáveis pelo PNL... Sabemos que ler é importante, para nós é uma parte normal da vida, está enraizado, faz-nos falta, dá-nos prazer, e não conseguimos com total sucesso passar este gosto aos nossos filhos. Porque será que a leitura continua a ser o fantasma da parte escolar?, quase ali de mãos dadas com ...

Bolo de limão, Bolo de Churro, Chá, Licor de Poejo, a Agenda da Lena e Livros

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Depois de uma pausa forçada, eis que ontem nos tornámos a reunir, retomando as nossas tertúlias que tanta falta nos fizeram durante o estado de emergência e mais tarde calamidade, que quase nos levou à insanidade! Foram meses difíceis, de novos desafios, regras sociais, filhos em casa, tele trabalho, tele escola, reclusão, solidão e muito álcool gel! Um momento na história moderna que mudou a nossa vida e que veio para ficar, pelo menos, até a ciência corresponder à necessidade de uma vacina que nos possibilite retomar a vida como a conhecíamos. Os mais negativos dizem que nunca voltaremos aos saudosos tempos da socialização sem limites físicos, sem distanciamentos, os optimistas recusam-se a aceitar que os cumprimentos futuros serão para sempre como no oriente, com vénias e formalidades higienizadas. O que é certo é que a vida continua, com ou sem pandemia, como sempre aconteceu, e há que passar o tempo que se tornou longo e meditativo. Ler é para muitos a solução mais fá...

Prémio Nobel, Aniversário, Dia da Mulher e Pandemia

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Este mês de Março de 2020 foi talvez o mais estranho das nossas vidas. Na última tertúlia que fizemos parecia que já adivinhávamos que algo de extraordinário iria acontecer... Reunimos em casa de uma de nós, não procurámos a habitual localização pública, num café ou similar da Lousã, e estivemos confortavelmente a beber chá, a comer bolo de limão, e a falar sobre o livro "Viagens", da autora Olga Torkaczuk (fartei-me de corrigir o apelido, estava difícil de acertar nos K e C...). Para as mais caseiras, esta é a opção mais agradável, podemos falar alto, rir, beber chá e repetir as vezes que nos apetecer... enfim, devíamos fazer disto uma regra, já que cada vez é mais difícil encontrar um estabelecimento à nossa imagem e semelhança. Brindámos às mulheres, falámos de tudo e de nada, como habitualmente, ouvimos a opinião literária da nossa Professora de Letras que realmente devora os livros propostos e outros, e nos inspira a deixarmos a preguiça de lado e darmos uma hipótes...

25ª Tertúlia, "As mulheres que correram atrás de um café aberto na Lousã!"

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No passado dia 26 de janeiro reunimos pela 25ª vez! Quase que fazíamos uma capicua, que é sempre engraçado, mas em vez de brincarmos com a numeralogia, andámos à procura de um local onde pudéssemos beber um chá e conversar sobre a obra do João Tordo. Foi difícil, mas à terceira lá descobrimos um estabelecimento na Lousã aberto ao domingo à noite. Com meia hora de atraso, conseguimos finalmente uma mesa e uma bebida quente, numa versão anos 90, com fumadores à mistura, bem à imagem do livro que andámos a ler. Um ambiente urbano-depressivo, escuro, com cheiros desagradáveis e confusão de sons. Não é propriamente o que esperamos de um livro para nos distrair, ou de um local para reunir uma tertúlia literária, mas tal como na leitura, lá nos aguentamos. O autor escreveu um livro a falar na primeira pessoa como se fosse mulher, contando histórias também elas na primeira pessoa, de outras mulheres, mas que no fundo eram uma só realidade de uma mulher. É confuso? Sim, e custa a entranh...

Nozes, filhozes e outras "gnoses"

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Fechámos as tertúlias de 2019 com a obra "Sensibilidade e bom senso", de Jane Austen, que não reuniu consensos entre as leitoras presentes. A época vitoriana inglesa é muito característica, com os seus formalismos e etiquetas sociais, e todos conhecemos um pouco do mundo da autora, quer seja nos vários livros que escreveu, quer seja nas adaptações para cinema famosas, como é o caso da obra do mês. Hugh Grant, Ema Thompson, Alan Rickman, Kate Winslet e muitos outros atores, dão vida às personagens do nosso livro, onde a vida era regida e orientada pelos rendimentos anuais contados em libras, e condutas pré-definidas pela cultura inglesa da época. Não ficamos especialmente apaixonados pelo romantismo quase inexistente entre os possíveis e futuros casais, podemos até afirmar, que nos desapontamos com a frieza e calculismo com que a autora retrata a maioria das pessoas que imagina. Mulheres que casam porque sim, para não ficarem pobres ou sozinhas, que escolhem os pr...

Distopias, tarte de maçã e castanhas

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"A História de uma Serva" foi escrito nos anos 80, ainda numa época em que as distopias não estavam tão na moda, talvez por isso apenas agora se esteja a dar importância ao livro, a uma escala global. Apareceu uma série de TV inspirada na história, e abriu-nos a curiosidade para perceber o porquê do sucesso da mesma. Na minha opinião, não se pode gostar de uma história que nos dá cólicas e medo com um tema tão sensível como a liberdade e a individualidade, que facilmente são questionadas por uma sociedade que se encontre corrompida ou frágil. Mas a maioria das que leram o livro gostaram, não por ser um tema divertido ou alegre, mas por ser assustadoramente fácil de imaginar. A esterilização da mulher de carreira e de um certo status, que nos países desenvolvidos é cada vez mais possível, a categorização das mulheres por tarefas, que nos remete logo para sociedades pouco desenvolvidas, o facto de a escritora nos colocar numa época em que a personagem principal está subjug...

Recomeçar com granola!

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Para quem não conhece, a granola é um preparado de sementes muito saboroso, que podemos fazer em casa, com relativa facilidade. Uma de nós é perita nesta receita, e presenteou cada uma das participantes da última Tertúlia com um frasquinho aromático. Algumas comeram quase metade, só ali, na conversa, com a desculpa de que as sementes fazem bem à saúde, mas completamente rendidas à gula, outras disciplinaram-se e guardaram a dita para mais tarde colocar no iogurte. Não fosse a granola, teria sido quase impossível retomar o tema principal das nossas Tertúlias, que depois das férias grandes, da praia, da preguiça e do sol, dificilmente se tornam literárias. O livro da Isabel Allende não foi adorado, não nos espantou ao ponto de nos obrigar a todas ler até ao fim, porque há livros ditadores, que mandam em nós, e este suplicou durante as férias para que lhe pegassem, mas facilmente foi ignorado. Não que não seja interessante, ou engraçado, muito ao género da autora, somos levados para ...