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Prémio Nobel, Aniversário, Dia da Mulher e Pandemia

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Este mês de Março de 2020 foi talvez o mais estranho das nossas vidas. Na última tertúlia que fizemos parecia que já adivinhávamos que algo de extraordinário iria acontecer... Reunimos em casa de uma de nós, não procurámos a habitual localização pública, num café ou similar da Lousã, e estivemos confortavelmente a beber chá, a comer bolo de limão, e a falar sobre o livro "Viagens", da autora Olga Torkaczuk (fartei-me de corrigir o apelido, estava difícil de acertar nos K e C...). Para as mais caseiras, esta é a opção mais agradável, podemos falar alto, rir, beber chá e repetir as vezes que nos apetecer... enfim, devíamos fazer disto uma regra, já que cada vez é mais difícil encontrar um estabelecimento à nossa imagem e semelhança. Brindámos às mulheres, falámos de tudo e de nada, como habitualmente, ouvimos a opinião literária da nossa Professora de Letras que realmente devora os livros propostos e outros, e nos inspira a deixarmos a preguiça de lado e darmos uma hipótes...

25ª Tertúlia, "As mulheres que correram atrás de um café aberto na Lousã!"

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No passado dia 26 de janeiro reunimos pela 25ª vez! Quase que fazíamos uma capicua, que é sempre engraçado, mas em vez de brincarmos com a numeralogia, andámos à procura de um local onde pudéssemos beber um chá e conversar sobre a obra do João Tordo. Foi difícil, mas à terceira lá descobrimos um estabelecimento na Lousã aberto ao domingo à noite. Com meia hora de atraso, conseguimos finalmente uma mesa e uma bebida quente, numa versão anos 90, com fumadores à mistura, bem à imagem do livro que andámos a ler. Um ambiente urbano-depressivo, escuro, com cheiros desagradáveis e confusão de sons. Não é propriamente o que esperamos de um livro para nos distrair, ou de um local para reunir uma tertúlia literária, mas tal como na leitura, lá nos aguentamos. O autor escreveu um livro a falar na primeira pessoa como se fosse mulher, contando histórias também elas na primeira pessoa, de outras mulheres, mas que no fundo eram uma só realidade de uma mulher. É confuso? Sim, e custa a entranh...

Nozes, filhozes e outras "gnoses"

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Fechámos as tertúlias de 2019 com a obra "Sensibilidade e bom senso", de Jane Austen, que não reuniu consensos entre as leitoras presentes. A época vitoriana inglesa é muito característica, com os seus formalismos e etiquetas sociais, e todos conhecemos um pouco do mundo da autora, quer seja nos vários livros que escreveu, quer seja nas adaptações para cinema famosas, como é o caso da obra do mês. Hugh Grant, Ema Thompson, Alan Rickman, Kate Winslet e muitos outros atores, dão vida às personagens do nosso livro, onde a vida era regida e orientada pelos rendimentos anuais contados em libras, e condutas pré-definidas pela cultura inglesa da época. Não ficamos especialmente apaixonados pelo romantismo quase inexistente entre os possíveis e futuros casais, podemos até afirmar, que nos desapontamos com a frieza e calculismo com que a autora retrata a maioria das pessoas que imagina. Mulheres que casam porque sim, para não ficarem pobres ou sozinhas, que escolhem os pr...

Distopias, tarte de maçã e castanhas

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"A História de uma Serva" foi escrito nos anos 80, ainda numa época em que as distopias não estavam tão na moda, talvez por isso apenas agora se esteja a dar importância ao livro, a uma escala global. Apareceu uma série de TV inspirada na história, e abriu-nos a curiosidade para perceber o porquê do sucesso da mesma. Na minha opinião, não se pode gostar de uma história que nos dá cólicas e medo com um tema tão sensível como a liberdade e a individualidade, que facilmente são questionadas por uma sociedade que se encontre corrompida ou frágil. Mas a maioria das que leram o livro gostaram, não por ser um tema divertido ou alegre, mas por ser assustadoramente fácil de imaginar. A esterilização da mulher de carreira e de um certo status, que nos países desenvolvidos é cada vez mais possível, a categorização das mulheres por tarefas, que nos remete logo para sociedades pouco desenvolvidas, o facto de a escritora nos colocar numa época em que a personagem principal está subjug...

Recomeçar com granola!

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Para quem não conhece, a granola é um preparado de sementes muito saboroso, que podemos fazer em casa, com relativa facilidade. Uma de nós é perita nesta receita, e presenteou cada uma das participantes da última Tertúlia com um frasquinho aromático. Algumas comeram quase metade, só ali, na conversa, com a desculpa de que as sementes fazem bem à saúde, mas completamente rendidas à gula, outras disciplinaram-se e guardaram a dita para mais tarde colocar no iogurte. Não fosse a granola, teria sido quase impossível retomar o tema principal das nossas Tertúlias, que depois das férias grandes, da praia, da preguiça e do sol, dificilmente se tornam literárias. O livro da Isabel Allende não foi adorado, não nos espantou ao ponto de nos obrigar a todas ler até ao fim, porque há livros ditadores, que mandam em nós, e este suplicou durante as férias para que lhe pegassem, mas facilmente foi ignorado. Não que não seja interessante, ou engraçado, muito ao género da autora, somos levados para ...

As conversas são como as cerejas

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As cerejas eram biológicas, apanhadas horas antes no quintal de uma de nós, doces, saborosas, e foram as grandes culpadas de quase não se ter falado da obra "Como água para chocolate". Conversou-se até bem perto das 23h00, com a naturalidade com que se comem cerejas, umas atrás das outras, e a autora do mês ficou a pairar por ali, certamente a influenciar aquela informalidade que nos atacou, porque a comida tem este efeito, como no livro pudemos testemunhar. Nem o chá calmante nos pôs travão, sempre que agarrávamos mais uma cereja, lá nos lembrávamos de outra curiosidade que nada tinha a ver com literatura. A culpa não foi do livro, de qualquer desinteresse pela obra, bem pelo contrário, todas gostámos bastante de o ler, ninguém fez frete, e entrámos tão bem no universo colorido, cheio de sabores e emoções do México, que nos perdemos em gargalhadas e boa disposição. Talvez tenha sido o calor, que juntamente com as cerejas nos tenha deixado naquele estado, nunca o sabere...

Saltamos ou ficamos?

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Na última Tertúlia "Lousã Book Lovers" estivemos à conversa sobre o livro "Aventuras de João Sem Medo", de José Gomes Ferreira. Uma obra com alguma idade, mas que ainda nos parece tão atual, na sua crítica ao ser-se português, na sua essência mais profunda, aquilo que ainda não conseguimos contrariar como povo. O livro começa com uma escolha de João Sem Medo, que decide viver de forma diferente da população e que salta o muro que ninguém se atreve a transpor. Do outro lado da realidade confortável e certa opta ainda pelo caminho mais difícil, e vive toda um série de peripécias que simbolizam pessoas, atitudes, portuguesismos, se assim lhes podemos chamar. Discutimos essas mesmas características, que observamos no dia a dia, e dentro nós tantas vezes, na comodidade que é voltar sempre ao "pratinho de batatas com bacalhau", que nos consola, deixa sem fome e que sabemos a que sabe. Podíamos sempre fazer as coisas de forma diferente, transpor muros e bar...